
Grandes marcas estão usando como ferramenta de marketing de guerrilha pichações e cartazes lambe-lambe.
A Prefeitura de São Paulo ainda nem deu conta de retirar das ruas
todos os outdoors e peças de mídia exterior proibidas pelo projeto
Cidade Limpa e já começa a se deparar com outro tipo de poluição
visual, que pode vir a ser bem mais nocivo. No afã de ser posicionarem
como inovadoras e lançadoras de tendências, grandes marcas estão usando
como ferramenta de marketing de guerrilha pichações e cartazes
lambe-lambe. As peças não trazem suas marcas explicitamente, mas
integram de alguma forma ações de marketing, sendo apresentadas às
autoridades e consumidores como arte urbana ou conteúdo.
Há poucas semanas, a Sagatiba, fabricante da cachaça de mesmo nome,
colou cartazes lambe-lambe e pichou imagens do cantor e compositor Seu
Jorge, em São Paulo e no Rio de Janeiro. O artista é responsável pela
música Eterna Busca, que cita a cachaça e foi usada em campanha da
empresa.
Na segunda-feira, foi a vez da fabricante de aparelhos celulares
Motorola anunciar à imprensa, através de nota, que uma das ações que
pretende realizar durante a São Paulo Fashion Week (SPFW), com início
programado para esta quarta-feira, 24, é a colagem de dois mil cartazes
"que encobrirão os locais mais charmosos" da capital paulista, e a
instalação de 200 latas de lixo, "que ganharão roupagem nova".
O roteiro inclui a região dos Jardins, Higienópolis, Vila Madalena,
Vila Mariana, Vila Olímpia, Itaim, Ibirapuera/Moema, Cerqueira César,
as ruas Oscar Freire e Consolação, além das alamedas Lorena e Franca.
Segundo a empresa, todo o material da "Guerrillapaper", como foi
batizada a ação, será retirado das ruas em duas semanas.
Questionada sobre a ação, a empresa afirma que não teme prejuízos à
imagem da marca por causa da colagem dos cartazes. Os argumentos são os
seguintes: Primeiro, o material é arte. Criadas pelo designer americano
Joshua Davis, as estampas dos cartazes foram inspiradas em
caleidoscópios e não trazem a marca Motorola. Segundo, os dois mil
cartazes seriam "muito poucos" e restritos à "algumas ruas e lugares"
de São Paulo. E, por fim, a empresa teria solicitado e recebido
autorização da Secretaria de Cultura da capital para realizar a ação,
através de sua agência especializada em ações do gênero, a inglesa Jack
Liberties - coincidência ou não, a Jack Liberties também tem no
portfólio ações para a Sagatiba.
"A Motorola pensa sempre à frente, buscando novas tendências. Por
isso, queremos oferecer conteúdo personalizado para que as pessoas
possam colocar dentro de seus celulares", diz Andréia Vasconcelos,
gerente de marketing da Motorola.
Apesar de não trazerem a marca Motorola, os cartazes exibem estampas
que, depois, podem ser baixadas através de sites da marca. O material
também foi usado como inspiração e subsídio para a construção da
decoração do estande da marca na SPFW e ilustrará cartões postais
distribuídos em bares, restaurantes e hotéis da cidade, durante o
período do evento, fazendo o link com a Motorola. "Estamos ambientando
locais esquecidos de grandes cidades - a ação está programada para
acontecer, posteriormente, em Londres, Berlim, Paris, Milão, Cidade do
México, Buenos Aires, Johannesburgo e Mumbai - com imagens que possam
gerar curiosidade. Depois, revelamos de forma diferenciada que é a
Motorola que está por trás do projeto", diz a executiva.
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