Empresa adota jeito dos jovens que pesquisa e mexe com o mercado - BOX 1824


Pessoal vejam que legal e bastante criativo as formas variadas de realizar pesquisa e descobrir a maneira de saber o que os consumidores estão buscando.

BOX 1824 coloca jovens para identificar tendências de consumo e agita multinacionais

Mariana Barbosa

Quando o assunto é pasta de dentes, os jovens estão mais preocupados com o hálito que será sentido pelo parceiro ou parceira do que em conter placas bacterianas. A constatação, fruto da observação do comportamento de jovens feita por observadores igualmente jovens, levou a Unilever a produzir novos sabores da pasta Close-Up, com gosto e cara de dropes e embalagens que lembram histórias em quadrinhos.

Foram três meses de pesquisa de mercado, com 24 jovens observando o comportamento de outros 300 em São Paulo e Porto Alegre. Os encontros aconteciam naturalmente em casa, no trabalho, na balada, na viagem para a praia, sem que os outros 300 soubessem que estavam sendo observados. Assim são os métodos de pesquisa da BOX 1824, empresa de pesquisa de tendência de consumo que está agitando multinacionais e agências de publicidade.

Formada há dois anos por um grupo de jovens de Porto Alegre, a BOX 1824 já conquistou clientes como Unilever, Claro, Pepsico, Editora Abril e AmBev. Com as empresas sedentas por conhecer de perto como os clientes se relacionam com seus produtos em um mundo em constante transformação tecnológica, as pesquisas se transformaram em ferramentas fundamentais de negócios.

A BOX 1824 trouxe para o Brasil uma nova metodologia, chamada por um dos criadores da empresa, Rony Rodrigues, de 27 anos, de "invasão de cenários". Para analisar a relação do consumidor com uma marca de cerveja, por exemplo, a BOX contratou 35 jovens cujo trabalho era freqüentar bares de Salvador durante quatro meses. "A gente procura viver a vida do consumidor sem as interferências das pesquisas tradicionais", diz Rony.

Outra pesquisa, sobre a relação do jovem com a telefonia móvel, inspirou a criação do festival Claro que é Rock, e também um concurso para estimular os jovens a prover conteúdo, como toque de celular e "papel de parede" de computador. "O jovem hoje tem blog, página no Orkut, ele cria seu próprio conteúdo. Percebemos que se a Claro disponibilizasse um espaço para o jovem se manifestar, ela estaria indo de encontro ao que a gurizada quer", diz Rony.

Entrar na casa do consumidor para investigar seus hábitos de consumo é a última tendência dentre as empresas de pesquisa. "Virou moda contratar antropólogos para fazer pesquisas etnográficas, onde o campo é a casa do consumidor", diz a antropóloga Paula Pinto e Silva, sócia da empresa de pesquisa Pletora, que tem a Procter & Gamble entre seus clientes. No Brasil, esse tipo de pesquisa ganhou força no início dessa década. Com o aumento do poder aquisitivo das classes C e D, as empresas recorreram aos antropólogos para desbravar a periferia e descobrir mais sobre os hábitos dessa população.

Nas pesquisas da BOX, frequentemente o observador se confunde com observado, que na maioria das vezes nem sabe que está sendo pesquisado. "Eles fazem um trabalho que é um misto de detetive disfarçado e de pesquisador", explica o diretor de planejamento da agência F/Nazca, Fernand Alphen.

"Isso permite eliminar um vício das pesquisas clássicas que, ao colocar o consumidor diante da situação de pesquisa, acaba modificando o resultado."

A BOX é também uma das primeiras no Brasil a se especializar no público jovem. "O jovem de 18 a 24 é o centro primário de influência da sociedade de consumo global", diz Rony. Os mais novos e os mais velhos, diz, querem ser como os de 18 a 24. "Vivemos na era em que todos querem ser eternamente jovens."
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